Apple e iPhone 4G
Então o iPhone 4G saiu com uma, digamos, pequena falha de design. Dependendo de como você segura o aparelho, tipo assim, como se estivesse segurando um telefone celular, sua mão pode causar um curto-circuito na moldura metálica que serve de antena, o que pode atenuar o sinal telefônico, e por “atenuar” refiro-me aí ao mesmo sentido que o verbo teria em “o assassino ‘atenuou’ a vítima com um tiro na cabeça”. Ou seja, o sinal morre mesmo.
Tecnologia moderna é tão complexa que é difícil eliminar todos os problemas de um produto novo antes do lançamento. O XBOX 360, por exemplo, saiu com uma séria falha de projeto que fazia muitas unidades queimarem por sobre-aquecimento. O defeito foi um fiasco, mas a Microsoft assumiu a culpa, abraçou a causa, estendeu a garantia e trocou todas as unidades devolvidas.
Dada a escolha, é claro que prefiro um produto que não tenha defeitos, mas é invariavelmente nestas circunstâncias que conhecemos a verdadeira postura de uma empresa, e a postura da Apple é que sua mão, de polegar opositor, esta que seus antepassados passaram centenas de milênios aperfeiçoando, cuja interface com o usuário é tão intuitiva que sequer nota-se existir, bem, é esta sua mão que é incompatível com o aparelho perfeito que eles criaram.
No que diz respeito à Apple, o iPhone 4G é perfeito, logo o problema só pode estar no design da mão humana.
O diálogo da Apple com seus usuários foi mais ou menos assim:
Fã da Apple: Ei, o sinal telefônico morre quando seguro o aparelho desse jeito!
Apple: É só não segurar desse jeito.
Fã da Apple: Ah tá, desculpa ai...
Fala sério, isso é um caso clássico de relação abusiva de co-dependência, popularmente conhecida como “síndrome de mulher de malandro”.


